Breaking News

test

Breaking

Post Top Ad

Your Ad Spot

sexta-feira, 8 de setembro de 2017

Odebrecht abriu conta milionária em Andorra para os pais de um ex-ministro panamenho

Odebrecht abriu conta milionária em Andorra para os pais de um ex-ministro panamenho
A Odebrecht, a gigante da construção que protagonizou a maior trama de propinas da América, abriu uma conta no Banco Privada d’Andorra, em um paraíso fiscal europeu, para os pais de Demetrio Papadimitriu, ex-ministro da Presidência e ex-chefe de campanha do presidente do Panamá Ricardo Martinelli (2009-2014), segundo documentos internos do banco aos quais o EL PAÍS teve acesso.

Nesta e em outras instituições de Andorra, os pais do ex-político acumularam pelo menos 10 milhões de dólares [cerca de 32 milhões de reais]. Papadimitriu nega ter recebido pagamentos da construtora brasileira. Admite, no entanto, que seu pai tinha contas em Andorra.

A Banca Privada d’Andorra (BPA) e também o Meinl Bank de Antigua e Barbuda foram os bancos que a construtora brasileira utilizou para o pagamento de comissões ilegais a chefes de Estado e funcionários de uma dezena de países da América, entre os quais o Panamá, onde obteve contratos milionários de obras públicas. A BPA sofreu intervenção das autoridades de Andorra depois de se descobrir que fornecia dinheiro a cartéis de droga e políticos corruptos de vários países. Até o mês de janeiro passado, em Andorra, vigorava o sigilo bancário.

MAIS INFORMAÇÕES
A corrupção acossa os dirigentes da América Central
Panamá proíbe Odebrecht de participar de licitações por casos de corrupção
Promotoria peruana pede prisão de ex-presidente envolvido com corrupção da Odebrecht

Uma ata do Departamento de Compliance da Banca Privada d’Andorra registra a abertura da conta dos pais de Demetrio Papadimitriu. A ata os apresenta ao banco e expõe os planos dos novos clientes. Segundo o documento, “vão ultrapassar a carteira de que dispõem no Credit Andorra e em outros bancos. No total, cerca de 10 milhões de dólares”. A nota afirma que “são os pais do ministro da Presidência do Panamá” e que a nova conta “é apresentada pelo grupo Odebrecht”. “Os clientes são empresários panamenhos de origem grega. São os pais do ministro da presidência do Panamá”, insiste o redator do documento interno da entidade.

Sobre a origem dos depósitos, a BPA destaca que “receberão transferências pela consultoria de projetos do grupo Odebrecht”. “Até o momento foram recebidos 5 milhões de uma empresa, a Consult Risk LLC”, acrescenta.

A ata confirma que a operação foi “aceita e depende de receber os contratos em fevereiro”.

Medo de serem descobertos

O relatório confidencial reforça o temor dos novos clientes de serem descobertos e a cautela necessária que deve ser adotada para evitar vazamentos. “A documentação será levada em mãos por Cristina em fevereiro porque os clientes tiveram acesso não autorizado a seu computador e têm muito medo de enviar informações”, afirma a ata.

Papadimitriu foi acusado no mês de julho passado de ter recebido quatro milhões de dólares [cerca de 12,8 milhões de reais] da construtora brasileira. A denúncia foi feita por Luiz Antonio Mameri, um dos delegados da Odebrecht no Panamá, que também apontou o pai do ex-ministro como receptor das comissões ilegais. Aquele que foi o homem forte do ex-presidente Ricardo Martinelli respondeu que “Tudo é falso em toda falsidade”. Desde então, sua figura está sob suspeita.

Rodrigo Tacla Durán, advogado da Odebrecht acusado de realizar os pagamentos ilegais, revelou em julho passado a este jornal que o gigante da construção brasileiro pagou as campanhas presidenciais de vários candidatos na América. E afirmou que a construtora custeou festas “com mulheres” frequentadas por representantes públicos panamenhos.

Papadimitriu foi o encarregado de pilotar a campanha que levou ao poder Ricardo Martinelli e a ele é atribuída a estratégia eleitoral do partido Cambio Democratico, vencedor das eleições. “Entram ricos e saem milionários”, foi uma das mensagens que mais eco obtiveram naquela campanha, em alusão ao governo de Martín Torrijos. Não obstante, Papadimitriu se uniu a seu adversário e colaborou no desenvolvimento da campanha que levou Juan Carlos Varela à presidência. “Reconhecer é próprio dos homens. Papadimitriu fez uma campanha melhor, com uma mensagem clara e repetitiva”, escreveu Martinelli em sua conta do Twitter em alusão a seu ex-homem de confiança.


PAPADIMITRIU: “A CONTA DE ANDORRA FOI USADA PARA TRANSAÇÕES LÍCITAS"

Demetrio Papadimitriu, ministro da Presidência do Panamá com Ricardo Martinelli (2009-2014), reconhece que seu falecido pai, Diamantis Papadimitriu, teve uma conta em Andorra. Justifica que o depósito foi usado para guardar fundos de “transações comerciais lícitas”. E que sua mãe, María Bagatelas de Papadimitriu, participou da abertura, segundo explica ao EL PAÍS o ex-ministro.

“Meu pai sempre agiu com honestidade”, responde Papadimitriu em um questionário, no qual afirma não saber quanto dinheiro seus familiares ocultaram no Principado.

Aquele que foi o homem forte do Governo de Martinelli afirma desconhecer se a construtora Odebrecht foi a intermediária da abertura da conta de seus pais na Banca Privada d’Andorra (BPA). Admite, no entanto, que eles tinham vínculos com a empresa, envolvida na maior trama de propinas da América. “Entre a Odebrecht e meu pai houve uma relação comercial para o fornecimento de areia para a segunda fase da rodovia Madden-Colón e para o projeto da Faixa Costeira. Além disso, houve acordos de negócios para a dessalinização da areia”, responde.

Papadimitriu nega que o dinheiro de seus pais em Andorra tenha sido destinado a custear a campanha presidencial de Ricardo Martinelli. “Os fundos de investimento [no Principado] da construtora foram para a compra do equipamento de dessalinização da areia e não para a campanha eleitoral de Ricardo Martinelli”, argumenta.

O ex-ministro apresenta seus pais como empresários bem-sucedidos com quatro décadas de experiência. Afirma que a fortuna da família começou com um restaurante que o patriarca abriu em 1967 graças a 20 milhões de dólares [cerca de 62 milhões de reais] que recebeu de seu pai (o avô do ex-ministro). A atividade evoluiu depois — segundo o ex-político — para um negócio de pesca e exportação de mariscos por meio das empresas Sea Deli Panamá e Deli Fish Panamá.

As sociedades do clã, com uma frota de 44 barcos, estão avaliadas “em 70 milhões” [cerca de 224 milhões de reais], segundo Papadimitriu. “Entre seus clientes estão o Exército norte-americano, comissariados, supermercados, hospitais...”, acrescenta.

O ex-ministro reconhece que seus pais administraram “mais de 10 milhões de dólares”. Papadimitriu nega ter pedido dinheiro à Odebrechet.


(El País)

Nenhum comentário:

Postar um comentário

Post Top Ad

Your Ad Spot

MAIN MENU