Imagem que correu pelo Brasil inteiro nesta segunda, 7, a 'ovada' que o prefeito de São Paulo, João Doria Jr. (PSDB), levou no rosto durante a ida à Câmara Municipal de Salvador para receber o título de Cidadão Soteropolitano continua repercutindo (veja vídeo).
Empreitada de manifestantes contrários a Doria e ao prefeito de Salvador, ACM Neto (DEM), o ataque foi novamente comentado pelo chefe do Executivo municipal e pelo governador Rui Costa (PT), que chegou a ser acusado de patrocinar o grupo. Já analistas políticos ouvidos por A TARDE alertam para o acirramento da disputa política no país (leia adiante).
Acusando os prefeitos opositores de "fazer campanha eleitoral" antecipada, o governador disse, em evento oficial, que não tem tempo para "disse-me-disse".
"Eles deviam estar trabalhando e cuidando das suas cidades, mas estão mais preocupados em fazer campanha eleitoral. Eu tenho muita coisa para fazer. Eu prefiro cuidar do trabalho. Quem tem muito trabalho a fazer tem pouco tempo para fazer campanha em ano que não é eleitoral", reagiu.
Já Neto, em coletiva de imprensa no Palácio Thomé de Souza, voltou a atribuir os protestos a "militantes petistas" e ao "desespero crescente" dos adversários.
"São os aliados dele, eram militantes petistas, pessoas identificadas com partidos políticos e eu sou daqueles que acredita que você diz com quem anda que eu te direi quem você é", criticou o democrata, usando o famoso ditado popular.
Radicalização
Para analistas ouvidos pela reportagem, apesar de ficar em evidência após o ataque de ovos contra Doria e Neto, não é novidade deste ano pré-eleitoral a intensificação dos ataques entre grupos opositores.
Eles destacam, ainda, que a radicalização das "claques" tem a ver com o momento de indefinição e "esgarçamento" do sistema político.
"Acho que esse acirramento vem desde 2014, quando as eleições foram muito disputadas. A partir dali, a direita, que estava mais reclusa, saiu do armário, as pessoas de direita passaram a emitir suas opiniões publicamente e esses embates se intensificaram", analisa o historiador político Carlos Zacarias, professor da Universidade Federal da Bahia (Ufba).
O estudioso também observa uma "polarização no cotidiano como nunca antes" e cita como efeito colateral o crescimento de candidatos 'outsiders' na política, como o deputado federal Jair Bolsonaro (PSC), de opiniões conservadoras, e o próprio Doria, que se apresenta como "gestor".
"Todo mundo tem sempre uma queixa do grupo de WhatsApp da família", ri Zacarias. Ele frisa, entretanto, que esse fenômeno não deve ser visto como problema, e defende o debate.
"É preciso ter paciência no debate, mas políticos que apoiam Temer e as medidas impopulares podem sofrer mais atos do tipo no próximo período", avalia.
Já o cientista político Paulo Fábio Dantas Neto, também professor da Ufba, defende que atos radicais tendem a "encher a bola" da candidatura de Doria, "criando uma polarização que prejudica os que querem Lula como alternativa". "Esse é um método que encontra espaço pela falta de entendimento no sistema político, que está esgarçado", avalia Dantas Neto.
Para ele, no entanto, a radicalização "não é algo que está no seio da sociedade", mas sim um sentimento "limitado às elites políticas e facções delas". "Há muito mais espaço para o desejo de conciliação na sociedade", analisa o especialista.
(atarde)

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